Domingo, Outubro 16, 2005

Interviews, parte 5


Igor Ribeiro

Quinta e última parte das entrevistas realizadas com os seguintes figurões do grime: DJs Kode 9 e Plasticman e os jornalistas Chantelle Fiddy e Simon Reynolds (foto). Veja mais informações sobre cada um deles e a primeira parte da entrevista clicando aqui. Para ler a parte dois, clique aqui; a três, aqui; e a quatro, aqui.

Tem muita gente jovem no grime, como Lady Sovereign, Plasticman e Dizzee Rascal. Exitem até festas dirigidas a menores de 18. Por que os adolescentes se aproximam tanto disso?

Kode 9
– Na verdade, eu leciono sobre cultura e história musical para garotos dessa idade na zona leste de Londres. (O grime) tanto com voz ou o mais intrumental tem uma energia crua e sintética que não havia no país por um bom tempo, especialmente em uma cena urbana dominada por hip hop e rythm’n’blues bem medianos, a maioria dos EUA. As pessoas estão até comparando esse movimento, e essa energia, ao punk.

Plasticman – Porque eles se encontram nas letras. É uma cena realmente jovem e qualquer um pode obter êxito fazendo algumas faixas de grime se tiver um computador e um Hi-Fi. Foi assim que muitos produtores começaram e é isso o que chama tantos jovens para a cena.

Chantelle Fiddy – É a música da nova geração. Diferente do que é necessário para muitos ritmos, eles têm acesso a isso, podem ser parte disso como um MC, DJ, produtor, DVD-maker... Apesar de estar crescendo por algum tempo, a cena ficou proeminente há dois anos quando muitas pessoas no grime acabavam de fazer 18 e podiam sair sem problemas.

Simon Reynolds – É a música deles, eu acho. Eles estão procurando por uma identidade. E também é o som para quem cresceu entre o jungle e congêneres – tudo que conheceram foi essa música programada, com jeito mecânico.
E a agressão, a crueza, a boca suja dela é o típico de coisa que tem apelo entre os adolescentes cheios de frustrações para se livrarem. Sempre penso nisso como sendo meio punk rock, neste aspecto.

Ao mesmo tempo, às vezes tem um apelo bem sexual, com muito freestyling sobre assuntos urbanos como drogas e violência. Como a mídia e a opinião pública têm lidado com isso?

Kode 9
– A mídia mainstream sempre vai focar nos elementos negativos do ambiente sócio-cultural do qual a música emergiu. Tanto como com o hip hop, o assunto da violência é complexo. É uma linha muito fina entre tornar os duelos de MCs hype para chamar a atenção das pessoas e ficar cutucando a violência. Mas ao mesmo tempo a música funciona como uma fuga desses tópicos ao colocá-los no centro. Infelizmente, a ênfase da mídia nesses assuntos leva o Estado a fechar as rádios piratas que são essenciais para a transmissão da música. No entanto, as rádios piratas estão num passo adiante. Parece ser um tempo crucial para a música apenas agora. Quando o UK garage era grande, levou apenas um incidente de tiros com alta repercussão envolvendo um show do So Solid no centro de Londres para tornar-se praticamente impossível organizar uma festa de garage na cidade.

Plasticman – Até agora eles realmente não se preocuparam muito. Ainda acham que o UK garage é a criança problema da cena underground. Até o grime alcançar de fato os ouvidos dos principais chefões da mídia e começarmos a ter problemas de verdade com armas e violência, isso não vai esquentar muito. Enquanto os MCs gostam de falar sobre armas e facas, só uma quantidade bem pequena deles foi indiciado ou teve problemas por causa de armas de fogo – até muitos entre eles serem pegos, isso não será destacado pela imprensa.

Chantelle Fiddy – Não tem sido levado literalmente, muito das letras é metafórico. Às vezes, as pessoas acham divertido, em outras, ficam confusas. Mas no fim das contas o que podem dizer? A gente deixa o 50 Cent ficar se vangloriando por ter sobrevivido a nove tiros e deveríamos odiar e silenciar nossa própria (cena)? Isso não é certo. Se vão fazer um exemplo disso, que seja universal. E em vez de ficar maldizendo a música pela violência, olha antes para a sociedade. Não é mais um lugar legal lá fora.

Simon Reynolds – Não parece muito sexy pra mim – mas é bem sexista, no sentido de que muitas letras dizem coisas desagradáveis sobre mulheres. Muito disso, no entanto, é fantasia. Moleques agindo como se fossem fodões. Quando na verdade eles são apenas adolescentes que queriam montes de dinheiro e garotas! E as garotas que estão na cena ficam melhores se forem ainda mais duronas!

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

grime no cenaeletronica.com

Grime brazuca na gringa

O grime ainda é muito recente no Brasil, mas as produções nacionais do gênero estão dando o que falar na gringa.

Aqui no Brasil quem começou movimentando a cena grime é o DJ e produtor Bruno Belluomini. Em São Paulo ele faz a primeira festa do gênero no pais. Em Curitiba ainda não há nenhuma festa de grime, mas eu mesma resolvi fazer a minha parte e montei um blog sobre grime, e para isso convidei o próprio Bruno e mais dois jornalistas para me dar um help na divulgação do gênero. Esta dando certo. O blog já foi citado em vários sites como referencia, assim como um blog criado pelo próprio Bruno.

Mas você deve estar se perguntando que diabos é grime! Vou tentar resumir e abaixo o Bruno conta um pouco mais.

A começar pela palavra `grime`, que significa algo como coberto de sujeira, sujo ou algo assim. Com certeza é muito mais que um estilo de musica, uma forma de cultura que nasceu nas ruas londrinas. Parece um espécie de rap britânico, a evolução do já conhecido UK garage. Mistura funk, muito funk, com as batidas quebradas do drum`n`bass e até um electro. Mas só ouvindo mesmo para entender melhor.

Os grandes nomes do grime são produtores e mc`s que fazem musica muito boa de forma barata. Nomes promissores do grime são Plasticman, Mc Kano, The Streets, So Solid Crew, The Bug e Mark One,. O Kode9, que inclusive já veio ao Brasil para um apresentação em São Paulo, é Dj e produtor e tem uma radio pirata em Londres, alias as radio piratas são um grande veiculo de divulgação do grime. Até algumas produções do Mathew Herbert ou algumas musicas do selo Bpicth Control, da Ellen Allien, tem um ar de grime. O Dizzee Rascal, que fez o vocal das musicas Lucky Star e Kish Kash do Bassement Jaxx, começou a fazer musica com 17 anos usando o computador e o microfone do colégio publico aonde estudava, hoje também é um dos grandes nomes do grime. Para saber mais confira sobre o que anda rolando de grime no Brasil em uma entrevista com Bruno Belluomini.



Mannu. A TRANQUERA tem dado muito o que falar por ser a primeira festa dedicada ao gênero no Brasil. Como surgiu a idéia de fazer a festa em São Paulo?

Bruno. Fui convidado para tocar na Speedz, palco de vários projetos realmente criativos e inovadores, que conseguiam se apropriar de gêneros eletrônicos já existentes para produzir algo definitivamente diferente. Em seguida, na Xtra, o desafio era levar informação musical diferenciada para pista, para um público exigente e interessado em coisas novas. A noite foi um sucesso. Daí surgiu a idéia de fazer uma festa que fosse a soma dessas experiências, com foco no Grime e Dubstep. O Jimmy se interessou pelo projeto e veio para dar uma cara mais autêntica ao som. Ele rima de improviso, transforma tudo em verso e prosa. O microfone conecta o público à pista de forma interativa. Assim é a TRANQUERA.
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A materia na integra voce confere no cena eletronica.